Pelo tombamento da Casa do Jornalista

A Oposição Sindical do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas está mobilizada pelo tombamento da Casa dos Jornalistas, um bem muito importante para formação identitária da categoria no estado. Leia o manifesto e entenda sua importância.

SEGUNDA-FEIRA, 28 DE JANEIRO DE 2013

Pelo tombamento da Casa do Jornalista

É hora de preservarmos nossa história e resgatarmos nossa tradição de luta

Vinte anos após sua fundação, em 1945, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) firmou praça no palacete da Avenida Álvares Cabral, 400, onde foi instalada a Casa do Jornalista, sede do sindicato e palco de importantes lutas da história do Brasil.
O imóvel foi doado em 1965, pelo então governador Magalhães Pinto – um dos artífices do golpe militar de 1964 –, com a provável intenção de tentar alinhar a categoria aos interesses golpistas, que obscurecerem o País entre os anos de 1964 e 1985. Entretanto, como testemunha a história, os jornalistas de Minas fizeram da sua Casa uma das trincheiras da resistência ao regime militar.
Em meados da década de 1970, com a abertura da Casa do Jornalista para outras categorias, o SJPMG foi berço da retomada de um verdadeiro movimento sindical, abrindo caminho para a reconquista da independência, autonomia e consciência de classe dos sindicatos, frente à Central Geral dos Trabalhadores (CGT), com seu sindicalismo pelego e de resultados. O papel dos jornalistas mineiros contra a ditadura foi tão importante, que no início da década de 1980, a Casa foi alvo de um atentado a bomba de autoria do Comando de Caça aos Comunistas (CCC).
A história da Casa do Jornalista é parte da história do SJPMG, consequentemente, dos jornalista de Minas. Portanto, esses fatos históricos são mais do que lembranças do passado, são um registro de quem somos, do que fizemos e do que podemos fazer. O tombamento da Casa – hoje ameaçada de demolição – representa a preservação da nossa identidade como uma categoria combativa, representativa, capaz de interferir nos rumos da história.
Por isso, a Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas (OSJM) rechaça a proposta de construção de um prédio no terreno onde está a nossa Casa. Para além do discurso utilitarista de que com as salas obtidas na permuta o SJPMG passaria a ter recursos para melhor representar a classe, está o exemplo de combatividade passado e recente dos trabalhadores da notícia – como na Campanha Salarial de 2012 – de que um sindicato forte e representativo se constrói no fogo das lutas de sua categoria.
Não podemos, em hipótese alguma, assumir o discurso de que a origem da crise de representatividade pela qual passa o SJPMG estaria na falta de dinheiro para gerir o sindicato. A reposta para esse problema está igualmente contextualizada na história do sindicalismo brasileiro, que a partir do início da década de 1990 começou a perder sua razão de ser: a defesa das reivindicações concretas dos trabalhadores, em favor de um sindicalismo que coloca objetivos político-partidários acima e à frente dos interesses específicos, imediatos e concretos da categoria que representa.
Não defendemos um sindicalismo apolítico. Também não somos contrários à atuação de militantes políticos – organizados partidariamente ou não – no sindicato, inclusive com participação nas direções sindicais. Entretanto, é decisivo ficar claro que sindicato não é partido. E sem dúvida, o progressivo abandono da natureza essencial do sindicalismo fatalmente conduz, como tem conduzido, ao distanciamento ou mesmo abandono dos trabalhadores do seu sindicato, ao esvaziamento, a assembleias vazias, a congressos de cartas marcadas, formais, inócuos.
Com o aguçamento da crise econômica em nível mundial, a tendência é o aprofundamento da exploração dos trabalhadores, por meio de propostas como o projeto de lei do Acordo Coletivo Especial (ACE) – reforma trabalhista – já encaminhado ao Congresso Nacional, patrocinado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, que resultará na perda dos direitos consagrados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Diante desse quadro, mais uma vez os trabalhadores da notícia serão chamados a ocupar o seu lugar na história. E o palco da retomada da tradição de combatividade dos jornalistas de Minas é a nossa Casa, a Casa do Jornalista. Impedir a demolição da Casa não representa somente preservar o patrimônio histórico de Belo Horizonte. É manter viva a nossa identidade, valorizar a nossa história, que nos dignifica e nos faz herdeiros de uma tradição de luta que nos impõe a responsabilidade – como formadores de opiniões, consciências e ideologia – de nos unirmos mais uma vez à vanguarda dos trabalhadores brasileiros.
Não podemos abrir mão da Casa do Jornalista, pois a demolição da Casa representará definitivamente o nosso enfraquecimento, a perda da nossa memória, raízes, referências éticas e históricas; a perda da nossa identidade, que nunca mais poderá ser resgatada das ruínas da especulação imobiliária.
É em nome de um sindicato forte e combativo, que tem no exemplo de sua categoria a inspiração para seguir lutando que a Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas conclama todos os trabalhadores da notícia para participarem da Assembleia Geral Extraordinária, que será realizada no dia 5 de março, às 19h30, na Casa do Jornalista. Também defendemos que todos – sindicalizados ou não, inadimplentes ou não – tenham direito a voz e voto, pois não está em jogo uma meia dúzia de garrafas vazias, mas a opção por um sindicato representativo de trabalhadores ou um sindicalismo utilitarista, pragmático, sem memória, história, valores e ideal.
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