Em Belo Horizonte, plantio de árvores para compensar cortes não ocorre no mesmo ritmo

Por duas vezes no último mês fui entrevistado pelo Jornal O Tempo sobre a arborização e manutenção das áreas verdes em Belo Horizonte nos últimos anos. Não consegui ter acesso a matéria publicada, mas encontrei um texto da ANDA (Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente) citando alguns dos meus vários comentários feitos por telefone aos repórteres. Eles chegaram até mim pelos comentários que fiz aqui no início do ano passado sobre o corte de árvores no Parque Municipal e pela repercussão da notícia. Fico feliz ao ver a imprensa levantando a questão novamente. A arborização e a manutenção das áreas verdes em Belo Horizonte é discutida desde a fundação da cidade, e já foi sinônimo de desenvolvimento e qualidade de vida, diferentemente do que temos hoje em termos de concepção de cidade. Infelizmente prevalece o asfalto e a ampliação de vias públicas para receberem cada vez mais veículos particulares.

Abaixo vocês podem ler a reportagem dO Tempo comentada pela ANDA:

Em Belo Horizonte, plantio de árvores para compensar cortes não ocorre no mesmo ritmo

http://www.sense8.com.br/clientes/amda/?string=interna-noticia&cod=5424

No ano passado, 11.701 unidades foram cortadas e apenas 9.990 plantadas

24 de Setembro de 2012

Há anos, Belo Horizonte era conhecida e procurada em função do ar fresco e árvores espalhadas pela cidade. Atualmente, o número de cortes assusta e o plantio para compensação não segue no mesmo ritmo. Para se ter ideia, no último ano, o balanço de cortes corresponde a 11.701 unidades em toda a cidade, três vezes mais do que a quantidade existente no Parque Municipal.

Para repor as perdas, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente plantou 9.990 árvores em 2011, mas restou um déficit de 1.711 unidades. Do total retirado, 2.439 foram suprimidas apenas para as obras de implantação do BRT (transporte rápido por ônibus) nas avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos. “Um estudo mostra que uma árvore tropical normal é capaz de tratar uma tonelada de monóxido de carbono. Somente com a retirada feita para as obras do BRT, deixamos de tratar mais de 2.000 toneladas de monóxido de carbono. Somado a isso, temos uma frota de carros que só cresce e continua emitindo gases”, disse Fábio Pessoa, professor de sustentabilidade e meio ambiente da Universidade Estácio de Sá.

Entre as regionais, segundo informações do jornal O Tempo, a Noroeste foi a que mais teve perdas no último ano, com retirada de 2.339 árvores e reposição de apenas 603. Na Pampulha, além das 1.447 unidades suprimidas ao longo da avenida Antônio Carlos, foram cortadas na região outras 1.069.

Para Carlos Alberto Oliveira, historiador e pesquisador de planejamento urbano da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ainda existem falhas graves quanto à escolha das mudas de reposição e ao acompanhamento do crescimento das árvores. “Belo Horizonte tem regiões com passeios muito curtos e, por causa disso, não há como plantar qualquer tipo de árvore. Depois de um tempo, as raízes crescem, atrapalham a passagem de pedestres e a prefeitura usa isso como justificativa para o corte. O problema não é da árvore que cresceu, é de quem plantou ali sem planejamento”, considera.

Conforme Oliveira, a capital começou a adotar tendências de verticalização a partir das décadas de 40 e 50. “Nesse período, a cidade arborizada começou a ser vista como um empecilho. Naquela época, perdemos uma extensa área de arborização que existia na avenida Afonso Pena”, disse.

De acordo com o professor de sustentabilidade e meio ambiente, o crescimento desordenado de Belo Horizonte tirou as qualidades que a capital tinha há cerca de duas décadas e recuperá-las depende de medidas quase impensáveis. “É difícil saber como conseguiríamos voltar com a qualidade que a cidade tinha. Precisaríamos de um amplo planejamento urbanístico para repor a área verde perdida nos últimos anos e retirar boa parte da frota de veículos de circulação”, pondera.

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Nota: Não sou pesquisador nem professor de planejamento urbano da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como foi citado no texto. Somente fui aluno do programa de pós-graduação da instituição.

Atualizando (21/10/2012): recebi o link para a primeira reportagem do tempo. Confira: http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=212271,OTE&busca=corte%20de%20%E1rvores&pagina=1

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