Algumas referências para o estudo de cidades

A apresentação “Cem livros com cidade no título” motivou a compartilhar algumas referências dos meus estudos. Tentarei manter o post atualizado, acrescentando livros e pequenas descrições. Vocês também podem contribuir postando outros títulos nos comentários. É só indicar as referencias e acrescentar uma pequena descrição.

ALEX, Sun. Projeto da praça: convívio e exclusão no espaço público. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2008.

Ver resenha aqui.

ARENDT, H. A condição humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001. 352p.

Trabalho importante da filósofa alemã que enfatiza a importância da política como ação e como processo. Contribui ao desenvolvimento da minha pesquisa por favorecer o entendimento das esferas pública e privada.

BOURDIEU, P. Espaço social e poder simbólico. In: BOURDIEU, P. Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense. 1990, p. 149-168.

Bourdieu tem uma produção enorme, e é referencia para diversas áreas. Destaco esta pois trata da interseção/sobreposição dos espaços geográficos com os espaços sociais. Diz que a tensão característica dos centros urbanos, que a sociabilidade nos espaços urbanos não depende somente da proximidade entre os indivíduos, mas também dos signos que carregam ou que atribuem ao outro e ao lugar do outro.

(…) espaço é construído de tal maneira que, quanto mais próximos estiverem os grupos ou instituições ali situados, mais propriedades eles terão em comum; quanto mais afastados menos propriedades em comum eles terão. As distâncias espaciais – no papel – coincidem com as distancias sociais. Isso não acontece no espaço real. Embora se observe praticamente em todos os lugares uma tendência para segregação no espaço, as pessoas próximas no espaço social tendem a se encontrar próximas – por opção ou por força – no espaço geográfico, as pessoas muito afastadas no espaço social podem se encontrar, entrar em interação, ao menos por um breve tempo e por intermitência, no espaço físico.  (BOURDIEU, 1990, p. 153)

BRESCIANI, M. E. As sete portas da cidade. Espaço & Debates: Revista de Estudos Regionais e Urbanos. Núcleo de Estudos Regionais e Urbanos, 1981, p. 10-15.

Depoimento sobre as noções de permanência e ruptura na história urbana de uma das historiadoras com trabalhos mais expressivos no tema. O título é uma homologia estabelecida entre as entradas de estudos e as entradas das antigas cidades muradas.

CHOAY, F. O urbanismo. São Paulo: Perspectiva, 1992. 350p.

Referência indispensável para quem estuda urbanismo e o desenvolvimento das cidades modernas e contemporâneas. Embora seja criticada pela dura organização dos pensamentos urbanísticos como eventos marcados pontualmente na história, é sem dúvida a antologia mais importante do pensamento urbanístico.

LEFEBVRE, H. A revolução urbana. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004. p. 151-164.

Trata a influência do capitalismo e do poder industrial na transformação do espaço urbano. H. Lefebvre também é autor de “O direito à cidade” publicado em 1969.

LYNCH, K. A imagem da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1988. 205p.

“A Imagem da Cidade” publicado em 1960, é o resultado de cinco anos de estudos em como as pessoas percebem e organizam informações aleatórias quando trafegam pelo espaço urbano. Usando três cidades diferentes como exemplo (Boston, Jersey City e Los Angeles), Lynch analisou que as pessoas no geral, entendem a cidade ao seu redor de maneira consistente e previsível, formando mapas mentais utilizando-se de cinco elementos principais:

  • Vias: São estas as ruas, calçadas, ferrovias entre outros caminhos de locomoção;
  • Limites: São contornos perceptíveis, tais como muros, construções e a costa;
  • Bairros: São seções relativamente grandes da cidade, distintas por alguma característica ou identidade;
  • Pontos Nodais: São pontos de convergência de pessoas, como cruzamentos ou praças; e
  • Marcos: Que são objetos peculiares que podem servir como ponto de referência. (fonte: wikipedia)

LUZ, M. T. Natural, racional, social: razão medica e racionalidade cientifica moderna. Rio de Janeiro: Campus, 1988. 151p.

Um dos meus livros preferidos. É uma importante investigação sobre a inserção político-social da Medicina e da racionalidade científica moderna. O que o tema tem haver com o estudo das cidades e do pensamento urbanístico? O desenvolvimento das cidades nos séculos XVIII e XIX foram fortemente influenciados pelo desenvolvimento das ciências. As descobertas tiveram um efeito prático de mudança qualitativa na vida social e econômica das sociedades modernas que se desenvolviam. Implicou um processo de racionalização social com ápice no século XIX, quando as cidades industriais demandavam de princípios científicos para conter os problemas de saúde pública e moralização do trabalhador.

MUMFORD, L. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 741 p.

Literalmente um grande livro. Uma narrativa extensa sobre a cidade na história e sua relação com a vida humana.

PECHMAN, R. Cidade, povo e nação: Gênese do urbanismo moderno. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 1996b. p. 53-80.

Coletânea de textos apresentados no seminário Origens das Políticas Urbanas Modernas: Europa e America Latina, Empréstimos e Traduções, promovido pelo instituto de pesquisa e planejamento urbano e regional da UFRJ em conjunto com o Centre de Sociologie Urbaine de Paris. Possui contribuições de Christian Topalov, Margareth da Silva Pereira e Sandra Jatahy Pesavento, dentre outros.

VELHO, O. G. (Org). O fenômeno urbano. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1976. p. 176.

Um livro importante, bem organizado e apresentado com textos clássicos de M. Weber, G. Simmel e L. Wirth. É criticado no meio acadêmico pela qualidade das traduções, mas ainda sim é uma ótima referência.

SENNETT, R. O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. 447p.

Sennet analisa a mudança nas esferas da vida pública e da vida privada e os problemas causados ao homem moderno do esvaziamento de uma vida pública assim as contribuições para para mudanças significativas no meio urbano. É outro autor importante para meus trabalhos. Segundo o autor, um estudo sobre qualquer implicação das transformações entre “público” e “privado” no meio urbano deve considerar que

em estudos urbanísticos, as palavras “urbano” e “urbanizar” são difíceis de usar e fáceis de confundir. O uso comum toma “urbano” fazendo referência a um lugar no mapa e à sua vida; “urbanizar”, fazendo referência à expansão dessa vida para outros lugares além da cidade física. […] aquilo que fez “a cidade” foi um sistema administrativo, financeiro, jurídico e de escopo internacional. A urbanização no século XIX consistia em algo mais do que a difusão de hábitos urbanos, significava uma difusão mais geral de forças “modernas”, antitradicionais. E, assim mesmo, não se dava de um só golpe: a cidade era ainda a cultura distintiva, especialmente a capital. Sua vida pública era difundível, mas havia aí um ponto específico a partir do qual se iniciava a difusão. (SENNET, 1988, p.163)

Anúncios
Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

5 pensamentos sobre “Algumas referências para o estudo de cidades

  1. koji disse:

    Podia ter a capa dos livros hein? 😉

  2. […] após acrescentar o título publicado pela editora Autêntica no meu “Algumas referencias para o estudo de cidades”, postarei algo sobre o Panóptico de Bentham aqui no […]

  3. Do you also read English? (I’m sorry for not writing in Portuguese.) But are you familiar with the work of Amy Chazkel? She’s a great urban historian (and my colleague) at Queens College, The City University of New York. Check out her homepage, and if you’re on Academia.edu, follow her. http://cuny.academia.edu/AmyChazkel

    • Hello Kristina! I don’t know the work of Amy Chazkel, but a quick look at some of his material made ​​me very interested. Certainly I will contact her. I was just looking for other urban historians, and his comment here got me excited. Thanks for your visit and contribution.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s